Pensando no todo

Falava com colegas de trabalho hoje pela manhã sobre manifestações. Estamos acompanhando todos os dias nos noticiários milhares de “clientes” indignados com as empresas aéreas que, mesmo munidos de suas passagens, não conseguem voar. Seja para fazer turismo, visitar um parente, fugir ou procurar o frio, enfim… não conseguem um vôo para onde quer que seja. Se o destino ou a origem for São Paulo, então, esquece.

Mas eu vou além. De quem é a culpa? Os mesmos noticiários se perguntam, tentam estimular nos espectadores uma resposta filosófica para este questionamento, mas ninguém consegue decifrar o enigma. Entretanto, os lesados clientes (ou clientes lesados?) fazem manifestações de toda sorte. Quando enfiar a mão na cara de um atendente da companhia aérea não resolve, quando mandar enfiar a barrinha de cereal em outro lugar mais escuro e úmido parece não surtir efeito, quando quebrar o teclado do computador da recepção não é o melhor caminho, o que fazer? Procurar a culpa e resolver na raiz do problema.

Fazer manifestações quando se é lesado é muito simples, é a nossa melhor qualidade. Quando alguém nos pisa o calo, viramos o bicho, o justiceiro e até… patriota!

Sabe o que eu acho? Eu acho que toda essa palhaçada que chamam de crise aérea tem um único culpado: Mr. President! Já deu tempo de achar possíveis culpados, já deu tempo de corrigir seja lá o que precisasse ser corrigido. Se a questão é de tempo, ótimo! quanto tempo precisam? E o que vai ser feito para justificar esse tempo? É dinheiro? Beleza, suspende o PAN e vamos investir. O fato é que nos falta um presidente com comando, com rédeas, com pulso firme ou, ainda - me perdoe a leitora mais recatada - com DOIS COCOS NO MEIO DAS PERNAS pra fazer justamente o que passou a vida toda discursando caso fosse presidente: colocar este país nos eixos.

Mas se eu bem me lembro, ele foi eleito por uma quantidade considerável de brasileiros e vá pra puta que o pariu quem me disser que todos esses milhões de votos foram em função dos pobres do nordeste e sua famigerada bolsa família. E vá pra puta que pariu também quem quiser me convencer de que reeleger o Lula foi por falta de alternativa.

Por quê não somos patriotas nessas horas? Por quê não encaramos as eleições como um dia de se vestir de coragem e nas urnas não depositarmos o mesmo que nas privadas? É fácil protestar, manifestar, virar patriota quando o nosso está na reta. Chega a ser comovente aquele velho tosco que quebrou o teclado da companhia aérea. Mas na hora de fazer algo pelo coletivo, que RESOLVE o problema, “não é comigo, não sei de nada..” Dizem que o presidente de um país é reflexo do seu povo. Cuspido e escarrado.

“Não é comigo, não sei de nada…”