Tá, e a conta?

A até então ministra da Igualdade Racial (pra encurtar o nome da pasta tão enrolado quanto a situação da moça) Matilde Ribeiro gastou em torno de 175 mil reais no ano passado com o cartão de crédito corporativo do governo. Ela pediu demissão do cargo esta semana quando ficou evidente que um dos seus gastos, pouco mais de 450 reais, registrava um freeshop. Em entrevista, ela disse que a reunião com o Presidente da República foi tranquila e estão vendo alguém para substituí-la. Parou aqui. Vamos à realidade.

Várias vezes saí para algum lugar com dinheiro da empresa que trabalho, ou trabalhava. Lembro que em 2005, quando trabalhava no Grupo Casvig, fui até a Telexpo, uma feira de informática e telecomuncações em São Paulo, a fim de tratar dos assuntos de implantação do VoIP na minha referida empregadora. Meu chefe me deu R$500,00 para custear a viagem de 1 dia e duas noites: passagens, hospedagem, alimentação e demais despesas corriqueiras.

Lembro ainda que as passagens de ônibus (sim, tenho medo de avião) custaram quase metade do valor, módicos 240 reais. O restante foi para uma diária num hotel pra poder tomar um banho (viajar 12 horas num ônibus é periclitante), o taxi para o traslado rodoviária/hotel/rodoviária, café da manhã, almoço e jantar. Quando li a notícia da ex-ministra, lembrei que passei sufoco pra almoçar lá. Não encontrava um restaurante barato e, manezinho em cidade grande com medo da violência que vê na TV da roça e sem um guia de sobrevivência em São Paulo, acabei almoçando num restaurante no bairro Santana - O Costelão - que custou à empresa 50 reais. Um almoço de cinquenta reais, pra mim, é caríssimo e a primeira coisa que fiz quando retornei à empresa foi pedir desculpas, explicar a situação e prestar contas. Só então consegui dormir descansado.

E a dona Matilde vem me dizer que isso foi um ENGANO? Ela simplesmente foi, em viagem de TRABALHO, à uma freeshop, fez compras pessoais e sacou o cartão corporativo do governo por ENGANO? Ah, não, dona Matilde. Sou pobre mas sou limpinho, a senhora não pode me fazer de otário. A senhora não tem esse direito. Eu ajudei a pagar essa fatura do cartão da sua pasta, dona, a senhora definitivamente não pode gozar dessa forma da minha cara. A outra lá, sexóloga, disse pra relaxar e gozar e eu até aturei afinal, como disse, não viajo de avião. Mas isso é demais. Que BOSTA de igualdade a senhora prega? Aonde está a igualdade, dona?

Se eu tivesse pego prá mim os exatos 58 reais que sobrou daviagem que fiz questão de devoltar à Casvig juntamente com todas as notas fiscais (e NÃO recibos) eu não conseguiria dormir. A senhora simplesmente paga suas comprinhas com o cartão do governo e nem uma choradinha na frentes das câmeras? Nem uma encenaçãozinha pra eu me sentir, digamos… menos idiota, menos piegas, menos otário de querer ser honesto com quem bota comida na minha mesa?

Ah não, dona… a senhora é uma fanfarrona. E a vontade que eu tenho é de estragar o velório.